Azevedo

 

João Mendonça Azevedo

 

azevedo Posição: Guarda Redes
Data Nascimento: 10/07/15 a 03/01/91
Naturalidade: Barreiro
Altura/Peso:
- cm / - Kg
Nacionalidade: Portuguesa


 

Clubes

1953/54    Oriental
1952/53    (sem clube)
1951/52    Sporting
1950/51    Sporting
1949/50    Sporting
1948/49    Sporting
1947/48    Sporting
1946/47    Sporting
1945/46    Sporting
1944/45    Sporting
1943/44    Sporting
1942/43    Sporting
1941/42    Sporting
1940/41    Sporting
1939/40    Sporting
1938/39    Sporting
1937/38    Sporting
1936/37    Sporting
1935/36    Sporting
1934/35    Luso
1933/34    Luso
1932/33    Barreirense
1931/32    Barreirense
1930/31    Barreirense

 

Palmarés

 

Campeão de Portugal (1935/36 e 1937/38)

Campeão nacional da IDivisão (1940/41)

Vencedor da Taça de Portugal (1940/41)

Campeão nacional da IDivisão (1943/44)

Vencedor da Taça de Portugal (1944/45)

Vencedor da Taça de Portugal (1945/46)

Campeão nacional da IDivisão (1946/47)

Campeão nacional da IDivisão (1947/48)

Vencedor da Taça de Portugal (1947/48)

Campeão nacional da IDivisão (1948/49, 1950/51 e 1951/52)

 

19 internacionalizações pela Selecção A. Estreou-se a 28 de Novembro de 1937, contra a Espanha, em Vigo, na célebre vitória de Portugal que a FIFA não oficializou (2-1) e despediu-se no Jamor, contra a França (2-4), a 23 de Novembro de 1947.

 

  ENTRAVA em campo a arrastar os pés, dando a ideia de uma insolência que chegava a irritar. Ou a incomodar. Mas, depois, na baliza, quase sempre de boné na cabeça, crescia, voava, defendia o... indefensável. Por vezes, mas não muitas, também dava grandes frangos, sobretudo em remates de muito longe, e foi precisamente por causa dele que se criou aquele chavão... «grandes frangos dão-nos os grandes guarda-redes».

Fez o seu primeiro jogo de futebol em 1930, nos infantis do Barreirense.

Antes de ingressar no Sporting, em 1935, foi fazer um treino ao Benfica. Nas Amoreiras. Vítor Gonçalves (o pai do Vasco do PREC) era o treinador. Gostou dele, mas não percebeu o génio do craque que já despontava: «No fim, pediu-lhe dinheiro para as passagens, ele disse-me para ir receber à sede, não gostei e nunca mais lá voltei.»

Logo no ano da sua estreia de leão ao peito Azevedo ganhou o Campeonato de Portugal. Foi o arranque da corrida ao ouro. A glória farta. Por vezes de forma estóica. Heróica. Uma vez, contra o Belenenses, abriu uma brecha na cabeça. Levou 12 pontos e continuou a jogar. Outra, igualmente contra o clube da Cruz de Cristo, na final da Taça de Portugal, fracturou um pé; e ao pé coxinho, sem conseguir pôr o calcanhar no chão, continuou a defender. Só sofreu um golo e o Sporting ganhou. Como ganhou o desafio como Benfica em que Azevedo, jogando uma hora com uma clavícula fracturada, sofreu apenas um golo...

Era esse espírito que fazia dele um guarda-redes apaixonante. Mas há sempre o reverso da medalha. Tinha fama de rezingão, de bicho-do-mato. Talvez por isso haja tido o fim que teve. Que ficou como mágoa a vida inteira. «Acho que fui maltratado pelo Sporting, depois de tantos anos a jogar e de tanto sacrifício. Já não falo de jogador, tem de acabar, acabou-se o artista, acabou-se o espectáculo, mas falo do homem. Penso que ainda poderia jogar uns anos mais, mas do que me queixo é da forma como fui tratado. Há coisas que um homem não pode esquecer mais... Por exemplo, a forma como fui dispensado pelo Sporting. Em 1952 não fui escalado para a viagem ao Brasil. Fui ao Sporting para receber, não me pagaram o mês de Julho e deram-me essa carta dispensando os meus serviços.»

Ainda colocou a hipótese de ficar no Sporting como... treinador de guarda-redes, houve quem lhe dissesse que isso era um disparate, que assim teriam de arranjar um treinador de defesas, um treinador de médios, um treinador de avançados ou um... treinador de suplentes!

Carlos Gomes foi o seu substituto na baliza do Sporting. Algum tempo depois da carta de despedida, Azevedo foi jogar para o Oriental. Nos primeiros meses de 1954, uma úlcera gástrica impediu-o de jogar por longo tempo. Estava em grande forma. Tinha contribuído para que o Oriental brilhasse. Mas, pouco depois, acusado de indisciplina, foi suspenso de toda a actividade. Era o fim triste de um mito.

Nos seus tempos áureos ganhava 1200 escudos por mês. Não dava para grandes economias. Depois das botas arrumadas tentou que dirigentes do Sporting, quase todos figuras gradas do salazarismo, lhe arranjassem emprego no Estado. Em vão. Comprou um táxi no Barreiro, mas as borlas que dava... estragaram-lhe o negócio. Depois de muito amargar, em 1968 emigrou para Londres. Conseguiu emprego como motorista de um colégio. Nunca disse aos alunos que transportava que adoravam futebol e quem fora. Regressou a Portugal em 1982. Com uma boa reforma. Que lhe permitiu que, ao menos isso, os últimos dias da sua vida passassem sem grandes preocupações. E privações...

 

«Gato» que fumava devido aos nervos

 

Em 1937, Cândido de Oliveira chamou-o às balizas da Selecção de Portugal. Estreou-se, auspiciosamente, no célebre jogo azevedo_balizados Balaídos, em que Portugal bateu, pela primeira vez, a Espanha, em partida que não foi oficializada pela FIFA por não reconhecer como legítima a Federação de futebol de... Franco. Azevedo haveria de manter o fascínio de Cândido, que, não muito depois, seria seu treinador no Sporting: «Era um grande homem. Não precisava de muito tempo para saber como devia lidar com as pessoas. Comigo não precisou de mais de oito dias. Deixava-me à vontade. Sabia que eu, nos dias dos jogos, não era capaz de comer nada, ia só com o pequeno-almoço e não me chateava por isso. E também não se importava que eu fumasse antes dos jogos, deixava-me sozinho num canto, era isso mesmo que eu queria... O que eu sofria, antes dos jogos, com os nervos. » Era Cândido, também, o seleccionador nacional no famoso jogo de Frankfurt em que Portugal, com um lote notável de jogadores – Azevedo, Mariano Amaro, Albino, Mourão, Carlos Pereira, Artur Quaresma, Manuel Soeiro, Pinga, Espírito Santo, Alfredo Valadas- , empatou com a super-Alemanha, sendo, depois, afastada do Campeonato do Mundo pela Suíça, em terceiro jogo, porque João Cruz falhou uma grande penalidade no último minuto. Aurélio Márcio, bastas vezes o escreveu, acredita que não fora isso e essa equipa teria feito um brilharete no Mundial.

Da Alemanha veio Azevedo com o apoio eterno: o gato. Jornalistas alemães, deslumbrados, asseveraram: que pelos seus campos nunca passara guarda-redes assim. sobretudo pela forma felina como se atirava aos pés dos avançados, como voava para a bola, dando amiúde, sinais de ser de borracha. Esses atributos só uma vez lhe falharam. Contra a Inglaterra. Na fatídica tarde dos 0-10. No jamor. Viera de Dublin, onde, contra a Irlanda, Portugal obtivera a primeira vitória na condição de visitante, com uma distensão. Ainda assim Tavares da Silva apostou nele. Aos 27 minutos já tinha sofrido quatro golos. Foi substituído por Capela. Do campo saiu mais condoído de alma que de outra coisa «O seleccionador podia ter dito para eu me magoar e eu que diabo, magoava-me. Agora ser substituído assim perante o público que já só assobiava... »

Por essa altura, Feliciano, que partira a cabeça jogava com o sangue a escorrer-lhe pela cara. E, de súbito, Tavares da Silva a gritar para dentro de campa «Cardoso, magoa-te e sai e diz ao Amaro para toma conta da equipa.»

 

  In "100 figuras do futebol português - Abola - 1996"

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